14.7.10

"cultural diversity": chinese people


Os chineses não são um problema para mim. Não mesmo. Confesso que eles não são exatamente adeptos da política da boa vizinhança, que o banheiro não deveria estar cheio de produtos cujos rótulos eu não sei ler e que não deveria ter um creme de barbear em cima da mesa da cozinha. Tirando os pormenores ele são até simpáticos. Digo "até" porque quando, ocasionalmente, um ou outro resolve soltar um "hello" é, visivelmente, com muito esforço. Outro dia um deles foi bonzinho e abriu a porta pra mim, que tinha esquecido a chave. A minha questão é não ser a única no meio deles. Semana passada fui obrigada pelo professor a fazer um trabalho com duas chinesas. Passei 15 minutos tentando pronunciar o nome delas. Sem sucesso. Depois disso, as duas começaram a falar em chinês e entre um comentário e uma risada contida pela mão na frente da boca eu deduzi que elas estavam falando de mim. Pode até ser que não e mesmo que sim, tanto faz. Eu nunca vou mesmo saber sobre o que elas estavam falando. Quase no final da aula o professor começou a falar de Beatles e eu me animei. Quando as duas me disseram que não conheciam Beatles antes de vir pra Liverpool foi a gota d'água. Aí sim eu comecei a achar esse chineses muito estranhos.
Apesar dos pesares o bicho anda pegando mesmo no prédio 15. O problema começou quando os chineses resolveram levar a louça mal e porcamente. E depois de ter encontrado a pia da cozinha cheia de arroz, um dos moradores, que já não era um grande simpatizante dos orientais, declarou guerra. De fato os chineses de lá são folgados: é um tal de bater porta, de usar as coisas dos outros, de tirar as coisas dos outros do lugar. De lá pra cá "só podia ser chinês" é o que mais tem se ouvido (em português) nos corredores do 15. O tutor foi avisado -"qual o procedimento pra deportar?", "eu vou socar esses chineses" - da forma mais correta possível. Depois veio a advertência. Parece que a situação não melhorou. Os brasileiros, vingativos e raivosos, resolveram fazer justiça com as próprias mãos. Passaram a noite de ontem tentando cegar o machado que os chineses usam para cortar vegetais e depois usaram o mesmo pra destruir os hashis (vulgo "pauzinhos") dos coitados. A última notícia que eu tive sobre a situação do 15 é que um chinês supostamente bebeu a cherry coke de um brasileiro. E como com cherry coke não se brinca, o brasileiro não deixou barato. Abriu a geladeira e enfiou os dedinhos no arroz deles, no melhor estilo "meus germes". Não sei onde isso vai parar, mas enquanto ninguém sair na mão eu estou achando divertido. Isso que é cultural diversity, minha gente. E bota diversity nisso.
Foto por Antonio Ledo.
Até já,
Paula Vidal

4 comentários:

Pati disse...

posso falar? não gosto de chineses. me processem.

sério,não gosto mesmo.

Beatriz Barros disse...

eu gosto de chineses. e acho muito valiosso essa experiencia de nacionalidades diferentes, com habitos diferentes. não critique papá, aproveite e se divirta, assim como voce está fazendo. amei o texto. ele explora muito mais a dificuldade do que o preconceito.

Augusto disse...

Well, isso é verdade, essa Cultural Diversity existe mesmo, mas depois de trabalhar com eles a alguns anos, já estou me acostumando.

Será que o que você achou que fosse creme de barbear em cima da pia, não seria cream cheese?

Kisses
Uncle Little Brick!

adizioli disse...

O interessante dessa "historia" é a convivência com culturas e raças diferentes da nossa!
Possivelmente os chineses também devem achar os ocidentais esquisitos!
BJSSS
estou adorando tudo o que vc escreve, e bem!